quarta-feira, 9 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
• • atualizado às 18h17
Interior do Brasil guarda vestígios mais antigos do homem americano

Os vestígios mais antigos de habitantes das Américas remontam a 50 mil anos e teriam vindo da África. Assim afirma a arqueóloga franco-brasileira Niede Guidon, que dedicou sua vida a pesquisar a Serra da Capivara, no Piauí, repleta de pinturas rupestres e celebrada em uma exposição em Brasília.
"Dificilmente exista um sítio com concentração tão grande arte rupestre", declarou à AFP a arqueóloga de 80 anos que desde os anos 1970 chefia a missão franco-brasileira que realizou as grandes escavações no parque situado no interior do Piauí.
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores que deixou um incrível acervo de arte no local.
Cenas de animais, cerimônias, representações de caça, luta e até a vida sexual desses antigos povoadores americanos foram eternizadas em pinturas rupestres em 940 sítios arqueológicos situados entre os impressionantes cânions da Serra.

O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50.000 anos, explicou Guidon, filha de pai francês e nascida em São Paulo. "Até hoje é a data mais antiga" de vestígios humanos nas Américas, destacou. A teoria é de que teriam chegado da África.
A representação de arte rupestre mais antiga da Serra tem 29 mil anos, "isto é, quando começava na Europa e na África, começava aqui também. A pedra polida, com lascas, e a cerâmica", afirmou, orgulhosa.
As descobertas nesta serra ajudaram a questionar a teoria tradicional de que o homem teria chegado das Américas há 12 mil anos, vindo da Ásia, cruzando o estreito de Bering rumo ao Alasca.
Outros sítios nas Américas, como Valsequillo no México e Monte Verde no Chile, com indícios de populações com dezenas de milhares de anos, levaram os arqueólogos a supor que os moradores das Américas chegaram por várias vias e em várias épocas, explicou à AFP a arqueóloga Gisele Daltrini Felice.
A "Serra da Capivara" foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1991 pela Unesco, mas apenas alguns milhares de turistas a visitam a cada ano.
"Depois de muito esforço, temos 20 mil visitantes por ano. Qualquer patrimônio da Humanidade recebe milhões, e nós estamos preparados para receber milhões", explicou Guidon, desanimada com a falta de recursos para promover o imenso parque, próximo à cidadezinha de São Raimundo Nonato, que há anos tenta concluir a construção de um aeroporto.

Uma centena de peças do sítio arqueológico estão expostas desde quarta-feira em Brasília: cerâmicas, pinturas, restos de flechas e de animais extintos como a mandíbula de uma preguiça-gigante e restos do haplomastodonte, um parente do elefante.
"A ideia é promover um turismo cultural, histórico e natural que pode ajudar o desenvolvimento de áreas próximas aos grandes parques do Brasil, e especialmente a Serra da Capivara, que tem as infraestruturas mais modernas", com 172 sítios para visitar, uma natureza exuberante, um grande museu e laboratórios avançados, mas ainda pouco conhecido, explicou Jerome Poussielgue, encarregado de cooperação da delegação da União Europeia (UE).
A UE patrocina a exposição e um ciclo de conferências com a Unesco, o Instituto de Parques e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico brasileiros.
Guidon lembrou que o interior do Piauí é uma região extremamente pobre que ganharia muito com o turismo. A fundação que lidera as pesquisas no parque impulsiona projetos de desenvolvimento - como uma fábrica de cerâmica que reproduz as pinturas rupestres - que dão prioridade às mulheres.
"Queríamos ajudar o desenvolvimento de uma região onde as mulheres sofrem uma violência enorme", disse Guidon. Hoje as guaritas de acesso ao parque são guardadas por mulheres.
Saudação quilombola ao povo brasileiro.
Nós, quilombolas, somos os herdeiros de Zumbi dos Palmares, um
dos grandes heróis da história do Brasil. Somos ainda herdeiros de muitos outros heróis que perderam a vida em busca dos nossos
sonhos. Mas temos muito mais do que nos orgulhar. Nos orgulhamos da nossa história de luta e resistência. A luta pelo
direito fundamental ao território e pelo reconhecimento da nossa
identidade quilombola. Com nossa terra garantida, todos os demais direitos passam a ser respeitados e podemos viver com autonomia
e dignidade. Com direito à terra, nossos filhos podem crescer ao
nosso lado e contribuir para o fortalecimento da nossa comunidade
sem serem expulsos para as cidades, onde a violência e o racismo
são graves ameaças a todo jovem negro. Temos orgulho das nossas tradições culturais, das heranças dos antepassados que formam nossa identidade e contribuem para a
diversidade cultural brasileira. Nossas festas, danças, crenças, culinária e outras formas de expressões culturais são um patrimônio
do qual não abrimos mão e, temos certeza, torna o Brasil um país ainda mais rico. Também prezamos pelo nosso modo de vida tradicional, as formas
com as quais manejamos o território e nos relacionamos em favor do coletivo. Nosso manejo da terra se baseia no respeito ao meio
ambiente e na valorização da biodiversidade. A contribuição dos quilombolas para o Brasil inclui a produção de alimentos saudáveis para o consumo dentro e fora de nossas comunidades.Os territórios quilombolas contribuem para a preservação ambiental e isso é um serviço fundamental que prestamos para o Brasil e para
o mundo. Nesse momento em que o planeta enfrenta a maior crise
ambiental de todos os tempos, com as mudanças climáticas, é hora
de termos nossos conhecimentos tradicionais e modo de vida
valorizados. Ao longo da nossa luta conquistamos muitas vitórias, mas ainda
falta um longo caminho de justiça social para as mais de 5 mil comunidades quilombolas existentes em todo o Brasil. Apenas 172
delas estão tituladas e, ainda assim, muitas delas enfrentam
problemas de regularização fundiária. Isso tem que mudar. Não
apenas por uma questão de Justiça, mas da própria preservação
ambiental, riqueza cultural e garantia de alimentos para todos. Fomos arrancados de nossas terras na África e transformados em
escravos no Brasil. Conquistamos a liberdade com muito sangue
derramado e o direito a terra é nossa principal luta. Vamos perseverar até conquistarmos todos os nossos direitos. Porque o Brasil também é quilombola!
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
Contato: conaqadm@gmail.com
Nós, quilombolas, somos os herdeiros de Zumbi dos Palmares, um
dos grandes heróis da história do Brasil. Somos ainda herdeiros de muitos outros heróis que perderam a vida em busca dos nossos
sonhos. Mas temos muito mais do que nos orgulhar. Nos orgulhamos da nossa história de luta e resistência. A luta pelo
direito fundamental ao território e pelo reconhecimento da nossa
identidade quilombola. Com nossa terra garantida, todos os demais direitos passam a ser respeitados e podemos viver com autonomia
e dignidade. Com direito à terra, nossos filhos podem crescer ao
nosso lado e contribuir para o fortalecimento da nossa comunidade
sem serem expulsos para as cidades, onde a violência e o racismo
são graves ameaças a todo jovem negro. Temos orgulho das nossas tradições culturais, das heranças dos antepassados que formam nossa identidade e contribuem para a
diversidade cultural brasileira. Nossas festas, danças, crenças, culinária e outras formas de expressões culturais são um patrimônio
do qual não abrimos mão e, temos certeza, torna o Brasil um país ainda mais rico. Também prezamos pelo nosso modo de vida tradicional, as formas
com as quais manejamos o território e nos relacionamos em favor do coletivo. Nosso manejo da terra se baseia no respeito ao meio
ambiente e na valorização da biodiversidade. A contribuição dos quilombolas para o Brasil inclui a produção de alimentos saudáveis para o consumo dentro e fora de nossas comunidades.Os territórios quilombolas contribuem para a preservação ambiental e isso é um serviço fundamental que prestamos para o Brasil e para
o mundo. Nesse momento em que o planeta enfrenta a maior crise
ambiental de todos os tempos, com as mudanças climáticas, é hora
de termos nossos conhecimentos tradicionais e modo de vida
valorizados. Ao longo da nossa luta conquistamos muitas vitórias, mas ainda
falta um longo caminho de justiça social para as mais de 5 mil comunidades quilombolas existentes em todo o Brasil. Apenas 172
delas estão tituladas e, ainda assim, muitas delas enfrentam
problemas de regularização fundiária. Isso tem que mudar. Não
apenas por uma questão de Justiça, mas da própria preservação
ambiental, riqueza cultural e garantia de alimentos para todos. Fomos arrancados de nossas terras na África e transformados em
escravos no Brasil. Conquistamos a liberdade com muito sangue
derramado e o direito a terra é nossa principal luta. Vamos perseverar até conquistarmos todos os nossos direitos. Porque o Brasil também é quilombola!
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