segunda-feira, 21 de outubro de 2013


Tambores do Benin

Estudo analisa a música ritualística dos grupos fon e iorubá da África Ocidental
LAURO LISBOA GARCIA | Edição 212 - Outubro de 2013
© ARQUIVO PESSOAL
Grupo de músicos do Benin e seus tambores: livro sobre o tema será lançado em breve
Grupo de músicos do Benin e seus tambores: livro sobre o tema será lançado em breve
O grupo étnico fon do sul do Benin, África Ocidental, cultiva certo estilo de música ritualística que poucos pesquisadores se dedicaram a estudar. Em 1984, quando era estudante na Alemanha, o professor Marcos Branda Lacerda, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), decidiu viajar por três meses ao país africano para se debruçar sobre essa cultura, seguindo parcialmente o roteiro apresentado nos livros do fotógrafo, etnólogo e antropólogo francês Pierre Verger, que passou grande parte de sua vida em Salvador. Uma revisão crítica de seu longo trabalho será em breve publicada no livro Música instrumental no Benin – Repertório fon e música batá”, pela Edusp.
Lacerda se concentrou em estudar também a música da população iorubá do Benin, principalmente os nagôs, conhecidos no Brasil. “Viajei por várias cidades e separei um conjunto pouco estudado na época, que era o batá. Tive a oportunidade de entrar em contato com muitos grupos musicais”, conta. “Embora muito citada, a música batá era praticamente desconhecida na literatura musicológica. O próprio Verger se referia aos batás por causa do vínculo com a entidade religiosa Xangô. “Além do grupo fon, escolhi para o estudo os grupos batá de duas cidades”, explica.
O pesquisador diz que há publicações bastante significativas no Brasil sobre pesquisas etnográficas e questões antropológicas afro-brasileiras, além dos trabalhos de Verger, como os estudos de Reginaldo Prandi. Porém, no aspecto etnomusicológico, seu estudo parece não ter precedentes. Na pesquisa de campo, Lacerda interagiu com músicos e parte do material gravado por ele deve acompanhar o livro. “O repertório iorubá que gravei lá já é conhecido. Publiquei há algum tempo um CD pelo Smithsonian Institution, que é muito cultivado pelo pessoal da área. Da população fon foi publicada pela Funarte alguma coisa, mas se esgotou rapidamente.”
© ARQUIVO PESSOAL
Segundo o professor, há uma série de elementos rítmicos que se aprofundam mais no repertório fon. “Era um repertório apenas indiretamente estudado por pesquisadores, sobretudo americanos e ganeses, que trabalharam sobre a tradição do grupo ewe. O grupo fon se aproxima mais culturalmente e também tecnicamente desse repertório. Há um aprofundamento de certos elementos rítmicos, com características que diferem muito das da música ocidental. É uma música muito peculiar pelo aspecto teórico”, diz. Já o grupo batá se salienta pela densidade sonora, bastante original mesmo no âmbito dos estilos conhecidos de música percussiva africana.
Esses estilos são ligados aos cultos religiosos, mas a mesma música fon também está presente em celebrações de caráter institucional e solene. Seria o que os músicos tocariam “caso o presidente do país os visitasse”.
Trata-se de uma música extremamente vinculada às ocasiões em que é originalmente executada, embora alguns elementos se projetem de forma diluída na música africana que é conhecida no mundo. “Os estilos populares buscam antes um enxugamento dessas texturas; esses repertórios não devem ser mantidos de maneira alguma dentro do mesmo espectro estilístico.”
Lacerda trabalhou apenas com a percussão (há no livro quatro fotos para dar uma ideia de como são os tambores e da maneira como são tocados), embora os grupos étnicos pratiquem música para outros tipos de instrumento e para a voz. “A voz é muito importante, mas, por razões estratégicas, dediquei-me às partes musicais conduzidas apenas pelos instrumentos.” O trabalho é dedicado também a questões de ordem teórica e a uma breve apreciação de como a música destes grupos teria influenciado a cultura brasileira, sobretudo na música ritualística dos cultos afro-brasileiros, como o candomblé e outras manifestações similares no Maranhão e no Pará.
Branda optou por restringir sua pesquisa praticamente apenas ao mundo musical africano. Para ele, querer escutar o africano para fazer a ponte imediata com o brasileiro comportaria “um risco intelectual”. “O que se passou na música não é o mesmo que se passou com as religiões afro-brasileiras e, no momento, um paralelo excessivamente detalhado seria um pouco forçado”, explica. “O universo brasileiro é múltipo, de uma complexidade conceitual muito forte e não há possibilidade de uma ponte direta – pelo menos não com a parte ocidental da África”, conclui.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Casa Brasil-África sob nova coordenação

A Casa Brasil-África (CBA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), está sob nova coordenação. O professor de bioantropologia Hilton P. Silva, assumiu a direção da CBA em agosto e já realizou três reuniões com os estudantes africanos para se apresentar e conhecê-los. A última reunião ocorreu na sexta-feira, 11 de outubro, às 17h, na Casa Brasil-África para discutir as atividades do mês de novembro, considerado o Mês da Consciência Negra, e os planos de gestão para o ano de 2014. Participaram cerca de 20 alunos de diversos países e os planos para o mês de novembro começaram a ser construídos coletivamente.
A Casa trabalha com estudantes, professores e representantes de movimentos sociais, e apoia as lutas contra o preconceito e o racismo que sofrem os africanos e os afro-descentes, bem como possibilita uma maior visibilidade aos estudos sobre as africanidades, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico na UFPA.
Neste primeiro momento a coordenação está reconhecendo e ouvindo os alunos africanos, informando a eles sobre a Casa e suas atribuições e, com as diversas reuniões, construindo conjuntamente uma agenda de trabalho para a CBA e também para a Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional. A agenda em fase de construção objetiva cumprir as finalidades da CBA no curto, médio e longo prazo.

Cátedra Brasil-África: A Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional da UFPA está ligada a Casa Brasil-África e visa colaborar para a ampliação do intercâmbio entre a Amazônia e a África através de atividades científicas e culturais, incentivo a pesquisas sobre a África e a diáspora africana em todas as suas dimensões e apoio aos movimentos negros no Brasil e na África. No momento a Cátedra está articulando convênios com entidades similares em diversos países africanos.

Casa Brasil-África – A Casa Brasil-África surgiu por meio de uma parceria da UFPA com o Grupo de Estudo Afro-Amazônico, em 2006, objetivando dar maior visibilidade aos estudos sobre a África e a ancestralidade africana no Brasil, envolvendo ensino, pesquisa e extensão. A CBA, que é vinculada a Pró-reitoria de Relações Internacionais da UFPA - PROINTER, organiza eventos e atividades mostrando que a diversidade cultural daquele continente merece ser conhecida e respeitada, e as tradições da África no Brasil precisam ser valorizadas. Além disso, a CBA tem por finalidades apoiar os estudantes africanos na UFPA, promover o intercâmbio científico, técnico e cultural entre a UFPA e instituições dos países do Continente Africano, estimular e divulgar cursos de graduação e pós-graduação sobre temas voltados para a problemática dos países africanos e que estudem questões referentes aos afrodescendentes, entre outras ações de fomento ao engajamento Brasil-África.
CBA está localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará, Campus do Guamá, Belém. O secretário bolsista da Casa é o Duterval Jésuka. O telefone da CBA é (91) 3201-8365, e-mail é casabrasilafrica@gmail.com e nosso blog é http://casaafricabrasil.blogspot.com.br/


Com a colaboração de Beatriz Santos- Assessoria de Comunicação da UFPA

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Novo diretor da Casa Brasil-África reúne-se com estudantes nesta sexta-feira

A Casa Brasil-África (CBA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) está sob nova coordenação. O novo diretor, professor Hilton P. Silva, convida para uma reunião nesta sexta-feira, 11 de outubro, às 17h, na Casa Brasil-África para apresentar os planos de sua gestão para o ano de 2014, além de discutir as atividades do mês de novembro, considerado o Mês da Consciência Negra. A reunião é aberta a todos os estudantes africanos e a quem estiver interesse na temática africana na UFPA. A CBA está localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará, Campus do Guamá, Belém.
A Casa trabalha com estudantes, professores e representantes de movimentos sociais e apoia as lutas contra o preconceito e o racismo, bem como de possibilitar uma maior visibilidade aos estudos sobre as africanidades, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico.
O novo diretor, professor Hilton Pereira, explica que, neste primeiro momento de sua gestão, a reunião  torna-se importante porque “estamos inicialmente reconhecendo e ouvindo os alunos africanos, informando a eles sobre a Casa e suas atribuições e, com reuniões como esta, construindo, conjuntamente, uma agenda de trabalho para a Casa e também para a Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional. A agenda em construção objetiva cumprir as finalidades da CBA em curto, médio e longo prazo”, disse.
Cátedra Brasil-África - A Cátedra Brasil-África de Cooperação Internacional da UFPA está ligada à Casa Brasil-África e visa colaborar para a ampliação do intercâmbio entre a Amazônia e a África, por meio de atividades científicas e culturais, incentivo a pesquisas sobre a África e a diáspora africana em todas as suas dimensões e apoio aos movimentos negros no Brasil e na África.
Casa Brasil-África – A Casa Brasil-África surgiu por meio de uma parceria da UFPA com o Grupo de Estudo Afro-Amazônico, em 2006, objetivando dar maior visibilidade aos estudos sobre a raça negra, envolvendo ensino, pesquisa e extensão, desenvolvidos em âmbito acadêmico. A casa, que é vinculada à Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPA (Prointer), organiza eventos de fomento, como palestras e sessões de cinema, com filmes africanos, mostrando que a cultura deste continente precisa ser respeitada e as tradições da África, no Brasil, precisam ser valorizadas.
Além disso, a CBA tem por finalidades promover o intercâmbio Científico, Técnico e Cultural entre a UFPA e as instituições dos países do Continente Africano, estimular e divulgar cursos de graduação e pós-graduação sobre temas voltados para a problemática dos países africanos, que estudem questões referentes aos afrodescendentes entre outras ações de fomento ao engajamento Brasil-África.

Consciência Negra - Segundo o novo diretor, o Mês da Consciência Negra é muito importante no calendário nacional, pois é quando as raízes africanas do Brasil são comemoradas, “nosso objetivo é construir uma ampla programação que envolva atividades acadêmicas e culturais, dentro e fora dos muros da UFPA, de maneira a permitir que o maior número possível de paraenses tenha contato com a enorme riqueza social, cultural e econômica do continente africano, que tem sido, tradicionalmente, visto de maneira negativa pela grande mídia”, finalizou.


Serviço:
Reunião com nova diretoria CBA-UFPA
Data: 11 de outubro de 2013
Hora: 17h
Local: Casa Brasil-África, localizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, Campus do Guamá, Belém.
Mais informações pelo Telefone: (91) 3201-7467, ou via e-mail: csbrasilafrica@ufpa.br
Texto: Beatriz Santos- Assessoria de Comunicação da UFPA
Fotos: Alexandre Moraes e Divulgação

Labels