quinta-feira, 10 de outubro de 2013

África do Sul pode perder o título de maior economia de África

Após as várias greves que vêm a acontecer ao longo do ano dos mineiros de ouro e platina, a economiasul-africana está “tremida”. A última greve aconteceu na mina de ouro Harmony Gold em Joanesburgo. Foram mais de 15 mil trabalhadores que baixaram as suas ferramentas e paralisaram a mina, exigindo a remoção da sua liderança sindical local e pedindo bónus livres de impostos. A paralisação aconteceu exactamente um ano depois de uma greve mortal ter sido lançada na mina de plantina em Lonmin´s Marikana Johanesburgo, que deixou 34 mortos.
Uma greve prolongada na indústria do ouro da África do Sul prejudicaria a maior economia da África.
A onda de greves que varrem o sul da África, vai desvalorizar o Rand nos próximos quatro anos, o que levantou preocupações de desaceleração do crescimento. As paralisações na indústria automobilística e no sector da construção já vêm pondo a economia em dificuldades e o encerramento de minas de ouro poderia prejudicar uma indústria que produziu já um terço do ouro do mundo, mas está em rápido declínio nas duas décadas.
Os economistas dizem que a economia da África do Sul, que já sofre de crescimento lento e alta taxa de desemprego, não se pode dar ao luxo de fechar a indústria do ouro.
O trabalho e a gerência são pólos à parte em salários, com a União Nacional de Mineiros, dominante, em busca de aumentos de 60 por cento para os mineiros de nível profissional e o seu rival mais intransigente, a Associação da União de Construção e Mineiros, a reivindicar aumentos de 150 por cento.
Os empregadores dizem que eles não conseguem suportar esses valores devido ao acréscimo dos custos e aos preços deprimidos. O resultado é cortes de emprego, mais desassossego e aumento de greves no sector mineral.
A empresa de gestão de recursos humanos, Adcorp, prevê perdas de emprego de 140 mil em toda a indústria de mineração ao longo dos próximos três anos. A maioria dos 80 mil mineiros em todo o sector que vem fazendo greves já aceitou uma oferta salarial de 8 % e voltou ao trabalho. Mas os trabalhadores das minas da Harmony Gold do Estado Livre central e das províncias a noroeste do Cabo estavam à espera de um melhor acordo. O sindicato dos mineiros vem exigindo um aumento de 60%. Os empregadores tinham oferecido 6% a mesma que a taxa de inflação. Os responsáveis da mina Harmony Gold disseram que os seus funcionários já aceitaram o acordo de pagamento, tal como noticiou a agência de notícias AFP.
A indústria de ouro da África do Sul é uma das maiores do mundo. Mas vem caindo a pique nos últimos anos, enquanto o sector de platina ainda está a recuperar da violência ocorrida durante as greves do ano passado.
No entanto, a mineração ainda é o sector mais importante da economia da África do Sul. Os minerais e metais contam cerca de 60% de todas as receitas de exportação, a mineração contribui em cerca de 10% para o PIB da África do Sul, sendo que 513.211 empregos foram criados no sector em 2011. A África do Sul é a maior produtora de platina do mundo , com 80% das reservas mundiais, tendo 50% das reservas mundiais conhecidas de ouro segundo informação da Câmara de Minas Sul Africanas.
Por muitos anos, a África do Sul foi, de longe, o maior produtor mundial de ouro, mas agora é o quinto maior, com apenas 6% da produção mundial. A União Nacional de Mineiros (NUM) representa cerca de 64% dos 120 mil garimpeiros da África do Sul.
Qual seria o país da África que poderá beneficiar e assumir a posição de maior economia da Africa? A Nigéria está na liderança para lutar pelo título contra a África do Sul.
O que irá acontecer se a Nigéria reenvindica este título? Será que isso afectaria a adesão dos Brics na África do Sul, e será que a Nigéria se tornará o parceiro preferencial da África para o Brasil, Rússia, Índia e China? Muitas são as perguntas e parece que somente os mineiros ficam com esse poder da decisão continuando ou não com as greves.
Ediana Miguel Cidade do Cabo, África do Sul

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

  
Cooperação científica portuguesa é desejada em África
07-10-2013 16:19
Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel
© TV Ciência
Uma maior ligação dos investigadores ao ensino entre Portugal e África foi tema de debate na Noite Europeia de Investigadores, promovida pelo Instituto de Investigação Científica Tropical, onde se concluiu haver grande espaço em África para que cientistas europeus, e em especial portugueses, se possam fixar.


A Noite Europeia dos Investigadores (NEI) é o pretexto que leva investigadores do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) ao debate sobre investigação e ensino superior na perspetiva da parceria entre instituições portuguesas e africanas. 

Desde 2005, ano em que a Noite Europeia dos Investigadores foi instituída pela Comissão Europeia, que o IICT tem vindo a promover a divulgação científica e debates entre cientistas e o público.

A importância do evento, e sobretudo da ciência, levou o Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho a endereçar uma mensagem a todos que no IICT vivem a noite de ciência. Uma mensagem lida pelo ex-Secretário de estado da cooperação, Luis Brites Pereira, antes de dar início ao debate.

«Tal como no ano passado envio uma mensagem de felicitações ao IICT pela organização da Noite Europeia dos Investigadores. Desde 2005, esta iniciativa da Comissão Europeia vem acontecendo na última sexta-feira de Setembro para promover o diálogo entre cientistas e cidadãos de idades diferentes e o IICT acolheu desde o início esta iniciativa no lindo Jardim Botânico Tropical».

«Neste evento os investigadores do IICT entusiasmam-se na divulgação da investigação que fazem em Portugal em prol do conhecimento mútuo em particular nos países africanos e de Timor, com os quais cooperam ativamente em áreas científicas chave como a agricultura, florestas, biodiversidade, história e coleções científicas», referiu o Primeiro-ministro em mensagem.

Na mensagem, o Primeiro-ministro faz ainda referência aos 130 anos do IICT. «No dia em que passaram 130 anos sobre a sua criação foi aprovado um relatório sobre o futuro do IICT, onde se recomenda uma aproximação às universidades de Lisboa, reforçando a sua presença em redes lusófonas, europeias e globais. Não espanta por isso a escolha para este ano do Colóquio Saber Tropical: Tropical Knowledge, “Investigação e Ensino Superior na perspetiva da parceria entre instituições portuguesas e africanas”, para o qual estão convidados representantes diplomáticos de países africanos».

«Também fazem todo o sentido, as sessões no seguimento das borboletas de Angola, publicação que tanto encanta quem a contempla e que também assenta numa parceria da Universidade do Porto. Borboletas, alimentos, plantas, etc. Como no ano passado espero sinceramente que aproveitem aprendendo e contribuindo para a afirmação da ciência produzida em Portugal no espaço lusófono, europeu e global», referiu Pedro Passos Coelho.

António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa
António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa
© TV Ciência
Para introdução do debate, António Rendas, Reitor da Universidade Nova de Lisboa (UNL), destaca a importância da internacionalização das Universidades e de uma maior ligação entre o ensino superior e a ciência.

«Temos procurado projetar as universidades portuguesas no mundo e isso deriva do esforço de muita gente, mas acho que talvez seja importante pensar é que se nós alavancarmos a ciência com o ensino superior, talvez seja possível alavancar ainda mais», afirmou António Rendas.

«Acho que Portugal beneficia muito se nós cruzarmos a ciência com o ensino superior, por uma razão muito simples, é porque a investigação científica tem muito a ver com a resolução de problemas», afirmou o Reitor da UNL e acrescentou que «estou convencido que a investigação científica, qualquer que ela seja, tem de ter uma sólida base das ciências puras, da matemática, da física, da biologia, mas tem que ter uma perspetiva muito ligada à análise de problemas ou de como resolver problemas e este contributo é um contributo muito interessante que a NEI aborda».

Sobre o tema em debate, o Reitor da UNL considera que é um desafio, sobretudo para os investigadores do IICT.

«É muito interessante que haja grandes temas que possam ser abordados de uma forma muito virada para a análise, para o desenvolvimento social e económico do país. E o tema tropical é um tema muito interessante, olhar para os trópicos de uma forma global, acho que é um grande desafio» e nesse sentido, «o trabalho do IICT que tem muito a ver com isso, e os cientistas do IICT podem ter aqui um desafio muito grande», afirmou António Rendas.

Falar de ensino superior e ciência nos trópicos, em especial em África, levou António Rendas a abordar a questão do brain drain ou fuga de cérebros.

«Mais de 90% dos profissionais altamente qualificados que estão no continente africano, muitos deles vêm para a Europa e eu isso não creio que seja necessariamente mau, o que é mau é o que eles deixam um vazio nos seus países», afirmou.

Assim, acrescentou o Reitor da UNL, «olhar para os trópicos no sentido mais lato é uma responsabilidade de todos nós e há aqui um enorme desafio que é ligar a investigação científica à formação, que é um desafio que às vezes os cientistas não gostam, os cientistas dizem claramente: “este é o meu território, é o meu compartimento, isto é para desenvolver a ciência”».

Convidada para o debate, Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal, partilha da preocupação, até porque os dados revelam que 14% da população mundial vive em África, mas menos de 1% dos cientistas trabalha no continente.

«Muitos destes países não têm muitos recursos, pagam muito dinheiro para educar estas crianças e depois elas vão-se embora para outro lugar. Mas também como país reconhecemos que estes jovens pertencem ao mundo, que eles têm de sair, têm de ter experiências noutros locais, têm de voltar como melhores profissionais», explicou a Embaixadora.

No entanto, acrescentou Keitumetse Matthews, «por exemplo na África do Sul estamos a embarcar num Sistema Nacional de Saúde e queremos ter um Sistema Nacional de Saúde gratuito», por isso, «produzimos muitos médicos nas nossas universidades, mas existem 26 mil médicos formados na África do Sul que estão na Europa, Canadá, Austrália e Reino Unido», pelo que «precisamos de substituir esses médicos».

E neste sentido, a Embaixadora deixou uma mensagem a Portugal. «Vamos bater à vossa porta porque vocês têm (médicos) em excesso e estão a ir embora e esperamos que eles vão-se embora na nossa direção e não para Canadá, Austrália e Reino Unido, porque nós precisamos mais do que eles», afirmou Keitumetse Matthews.

África tem plano de acção definido para a C&T

Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal
Keitumetse Matthews, Embaixadora da África do Sul em Portugal
© TV Ciência
Atualmente África conhece as vantagens e os constrangimentos para o desenvolvimento científico e possui áreas estratégicas de investigação e inovação, definidas pelo Conselho Ministerial da Ciência e Tecnologia da União Africana.

A Embaixadora da África do Sul explica que para «aqueles que querem colaborar em parceria, o Conselho desenvolveu um Plano de Ação Consolidado (CPA) para o continente no que se refere à C&T com objetivos claros e projetos identificáveis. Os dois grandes objetivos são, em primeiro lugar, permitir que África se aproprie da ciência, tecnologia e inovação por forma a erradicar a pobreza e alcance o desenvolvimento sustentável. Em segundo lugar, assegurar que África contribua para o aumento global do conhecimento científico e da inovação tecnológica».

O CPA envolve três áreas prioritárias: «investigação e desenvolvimento, melhoria das condições políticas e construção de mecanismos de inovação, implementação, governação e financiamento», afirma Keitumetse Matthews.

Programas em áreas tão diversas como biodiversidade, biotecnologia, saúde, energia, água e desertificação, ciências dos materiais, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), espaço e tecnologias e ciências da matemática, entre outras, que para a Embaixadora são áreas a explorar.

«Penso que é muito importante para Portugal olhar para os Planos que a União Africana fez através dos Comités Ministeriais e ver onde se encaixa em algumas coisas que são necessárias. Portugal fez muito trabalho nos assuntos relacionados com o cancro, a diabetes, têm o Instituto Champalimaud, o Instituto Gulbenkian, o Instituto Biomédico no Porto. Portanto, acho que já têm os valores de referência para abordarem os países africanos e oferecerem as parcerias que estão disponíveis», referiu.

A Embaixadora disse ainda que «quando se tem um projeto que é credível, é muito mais fácil para eles (países africanos) encontrarem o financiamento e financiá-lo». Keitumetse Matt O debate animou os participantes e as questões abordadas foram muitas.

Bruno Maçães, Secretário de Estado dos Assuntos Europeus também se associou à NEI promovida pelo IICT.

«Quero dar os parabéns quem organizou a iniciativa, quero dar os parabéns ao Instituto, acho que representa o que melhor existe na nossa vocação cosmopolita do país, criado para expandir o conhecimento de África Tropical no final do século XIX e esta iniciativa é particularmente feliz porque reúne estes dois grandes cosmopolitismos portugueses - o africano e o europeu – a NEI que um pouco por toda a Europa os investigadores se encontram, trocam impressões», referiu o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

Sobre o intercâmbio académico entre a Europa e África, Bruno Maçães referiu que chegou o momento de ser reforçado. «Estive muito envolvido em iniciativas de intercâmbio académico e pude reparar que o intercâmbio em instituições africanas está ainda quase inteiramente por realizar e que o intercâmbio entre a Europa e os EUA é muito forte, entre a Europa, os EUA e a Ásia desenvolveu-me muito nos últimos 20 anos, e acho que agora chegou o momento de desenvolver o intercâmbio com instituições de ensino superior africanas».

E Instituições como o IICT desempenham neste intercâmbio um importante papel, já que «trabalhar em projetos de investigação académica, apoiar financeiramente estudantes africanos que queiram estudar em Portugal e vice-versa, estudantes portugueses que queiram estudar em universidades africanas, é fundamental e é um papel em que o Instituto pode continuar a fazer o excelente trabalho que tem feito», afirmou Bruno Maçães.

Divulgação do património e atividades para os mais jovens

Atividades na Noite Europeia dos Investigadores no IICT
Atividades na Noite Europeia dos Investigadores no IICT
© TV Ciência
Com um vasto património científico sobre as antigas colónias, o IICT tem vindo a proceder à preservação e conservação, e agora também à divulgação.

E a NEI serviu para que o público pudesse conhecer algumas das coleções históricas e científicas, como sejam as coleções etnográficas oriundas das missões antropológicas entre 1936 e 1956, realizadas pela antiga Junta de Investigações Coloniais a Moçambique.

E um conjunto de artefactos oriundos da Guiné, recolhidos no âmbito da Missão Antropológica e Etnológica à Guiné que decorreu em duas campanhas, entre 1946 e 1947.

Entre diversas atividades, ‘As Borboletas nos Alimentos: Traça o futuro’ foi o mote para os mais jovens observarem o impato das larvas nos cereais, neste caso, no milho.

Mas a NEI promovida pelo IICT, no Jardim Botânico Tropical, é também um espaço para as tradições, para a música e para a dança e o público pode ainda assistir a uma Roda de Capoeira. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

  atualizado às 18h17

Interior do Brasil guarda vestígios mais antigos do homem americano

Imagem mostra pinturas rupestres na Serra da Capivara, no Piauí Foto: AFP
Imagem mostra pinturas rupestres na Serra da Capivara, no Piauí
Foto: AFP
Os vestígios mais antigos de habitantes das Américas remontam a 50 mil anos e teriam vindo da África. Assim afirma a arqueóloga franco-brasileira Niede Guidon, que dedicou sua vida a pesquisar a Serra da Capivara, no Piauí, repleta de pinturas rupestres e celebrada em uma exposição em Brasília.
"Dificilmente exista um sítio com concentração tão grande arte rupestre", declarou à AFP a arqueóloga de 80 anos que desde os anos 1970 chefia a missão franco-brasileira que realizou as grandes escavações no parque situado no interior do Piauí.
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores que deixou um incrível acervo de arte no local.
Cenas de animais, cerimônias, representações de caça, luta e até a vida sexual desses antigos povoadores americanos foram eternizadas em pinturas rupestres em 940 sítios arqueológicos situados entre os impressionantes cânions da Serra.
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores Foto: AFP
Antiga fronteira entre as florestas amazônica e atlântica, a Serra da Capivara atraiu uma civilização de caçadores e coletores
Foto: AFP
O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50.000 anos, explicou Guidon, filha de pai francês e nascida em São Paulo. "Até hoje é a data mais antiga" de vestígios humanos nas Américas, destacou. A teoria é de que teriam chegado da África.
A representação de arte rupestre mais antiga da Serra tem 29 mil anos, "isto é, quando começava na Europa e na África, começava aqui também. A pedra polida, com lascas, e a cerâmica", afirmou, orgulhosa.
As descobertas nesta serra ajudaram a questionar a teoria tradicional de que o homem teria chegado das Américas há 12 mil anos, vindo da Ásia, cruzando o estreito de Bering rumo ao Alasca.
Outros sítios nas Américas, como Valsequillo no México e Monte Verde no Chile, com indícios de populações com dezenas de milhares de anos, levaram os arqueólogos a supor que os moradores das Américas chegaram por várias vias e em várias épocas, explicou à AFP a arqueóloga Gisele Daltrini Felice.
A "Serra da Capivara" foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1991 pela Unesco, mas apenas alguns milhares de turistas a visitam a cada ano.
"Depois de muito esforço, temos 20 mil visitantes por ano. Qualquer patrimônio da Humanidade recebe milhões, e nós estamos preparados para receber milhões", explicou Guidon, desanimada com a falta de recursos para promover o imenso parque, próximo à cidadezinha de São Raimundo Nonato, que há anos tenta concluir a construção de um aeroporto.
O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50 mil Foto: AFP
O primeiro vestígio humano - restos de carvão de fogueiras estruturadas - data de mais de 50 mil
Foto: AFP
Uma centena de peças do sítio arqueológico estão expostas desde quarta-feira em Brasília: cerâmicas, pinturas, restos de flechas e de animais extintos como a mandíbula de uma preguiça-gigante e restos do haplomastodonte, um parente do elefante.
"A ideia é promover um turismo cultural, histórico e natural que pode ajudar o desenvolvimento de áreas próximas aos grandes parques do Brasil, e especialmente a Serra da Capivara, que tem as infraestruturas mais modernas", com 172 sítios para visitar, uma natureza exuberante, um grande museu e laboratórios avançados, mas ainda pouco conhecido, explicou Jerome Poussielgue, encarregado de cooperação da delegação da União Europeia (UE).
A UE patrocina a exposição e um ciclo de conferências com a Unesco, o Instituto de Parques e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico brasileiros.
Guidon lembrou que o interior do Piauí é uma região extremamente pobre que ganharia muito com o turismo. A fundação que lidera as pesquisas no parque impulsiona projetos de desenvolvimento - como uma fábrica de cerâmica que reproduz as pinturas rupestres - que dão prioridade às mulheres.
"Queríamos ajudar o desenvolvimento de uma região onde as mulheres sofrem uma violência enorme", disse Guidon. Hoje as guaritas de acesso ao parque são guardadas por mulheres.

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